Por Luiz Marins
Já
ouvi essa frase dezenas de vezes. Sem muita consciência da realidade,
das dificuldades, da pressão por custos, dos efeitos da globalização nos
mercados, muitos colaboradores começam a desenvolver uma impressão -
que com o tempo e a repetição passa a tornar-se, para eles, uma
quase-verdade - de que trabalham na pior empresa do mundo, que têm o
pior salário do mundo, e que tudo na empresa é muito ruim - da comida ao
uniforme e que têm ?o pior emprego do mundo?.
É
claro que há situações salariais negativas. É claro que há empresas em
que a alimentação e o uniforme não são os melhores. Mas será essa a
realidade da grande maioria? Será essa a realidade da sua empresa, da
empresa em que você trabalha?
Além
disso, é preciso usar um pouco de lógica quando se faz uma afirmação
desse tipo: melhor ou pior em relação a qual empresa? Melhor ou pior em
relação a qual setor da economia? Melhor ou pior do que qual comida ou
uniforme? Quando dizemos ?pior ou melhor? estamos fazendo uma afirmação
comparativa. Estamos nos comparando com quem? Será essa comparação
justa? Seremos nós, também, os melhores ou os piores colaboradores? Em
relação a quem?
Ao
fazer essas perguntas poderemos descobrir que estamos comparando
situações e realidades diferentes. Muitas vezes estamos fazendo
comparações por ouvir dizer e acreditando mesmo em meias-verdades de
amigos em churrascos de final de semana que afirmam receber de suas
empresas aquilo que de fato não têm. Mente-se muito sobre salários e
benefícios para impressionar amigos. Cheque as informações que lhe deram
de outras empresas e você verá que estou falando a verdade.
E
essa atitude continuada de falar mal da empresa por uma parte dos
colaboradores pode até desestimular melhorias. Muitos empresários
afirmam que ?não adianta melhorar nada, pois os empregados sempre
reclamarão?
Muitos
dirão que eu estou fazendo uma defesa injustificada dos patrões e das
empresas. Mas não é isso que estou fazendo. O que estou pedindo é que
cada um faça uma justa avaliação da realidade e que tenha em conta todos
os fatores que compõem a realidade e não apenas uma visão ingênua e
unilateral. Seremos nós tão competentes, dedicados e comprometidos como
imaginamos ser?
Nesta
semana, faça uma análise fria, sensata e equilibrada de suas condições
de trabalho e de seu emprego. Será que você realmente está no inferno
que diz estar? Será que você não está acreditando numa mentira e achando
que está no pior emprego do mundo, na pior empresa, com o pior salário
do mundo?
Pense nisso. Sucesso!
Luiz Marins é antropólogo, professor e consultor de empresas no Brasil e no exterior.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário